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Filosofia

A Medicina da Via Negativa

Há muitas vantagens ocultas na aplicação da Medicina da Via Negativa. Por exemplo, dizer às pessoas para não fumarem parece ser o maior benefício da medicina nos últimos 60 anos. Druin Burch, em Taking the Medicine, escreve: “Os efeitos prejudiciais do tabagismo são sensivelmente equivalentes aos efeitos benéficos de todas as intervenções médicas desenvolvidas desde a guerra. (…) Eliminar o tabagismo é mais benéfico do que ser capaz de curar todos os tipos de cancro”. NNT*

A Medicina Dentária da Via Negativa não é mais do que prevenção. Aconselhar os pacientes numa dieta correcta, livre de açucares e de hidratos de carbono, assim como uma vida livre de tabaco, é muito mais benéfico do que qualquer intervenção médico-dentária.

Na mesma medida, a realização de um tratamento minor adequado, correcto e rigoroso – como o tratamento de uma simples cárie dentária (restauração ou reconstrução) – previne a realização de um tratamento major, como a extracção de um dente e a realização de uma cirurgia para colocação de um implante.

Inversamente, uma reconstrução dentária mal executada (iatrogenia, ou dano escondido a longo prazo) levará inevitavelmente à falência do próprio tratamento e do dente.

Centramos assim a nossa actividade clínica na Medicina Dentária da Via Negativa, na prevenção e no tratamento interventivo minor de máxima qualidade e excelência. O sobre-tratamento não tem lugar na nossa consulta.

Em primeiro lugar não causar danos

Iatrogenia significa causar um dano (habitualmente escondido a longo prazo) resultante de um tratamento, em cujos benefícios são inferiores às consequências. Exprime assim os danos provocados ao procurar ajudar.

Não tratar, quando não há necessidade de o fazer, é assim tão ou mais valioso do que tratar ou intervir.

Então porque é gratuito, ou pouco valorizado, o importante acto do diagnóstico do não tratamento?

Por outras palavras, o diagnóstico que leva à decisão do não tratamento é tão ou mais importante do que aquele leva à decisão inversa. E desse modo deve ser igualmente valorizado.

“Existe um elemento de falsidade associado ao intervencionismo (excessivo), que é acelerado numa sociedade profissionalizada. É muito mais fácil vender a ideia:

“Olhem o que fiz por vocês”, do que:

“Olhem aquilo que eu consegui evitar em vosso benefício”.

Ao vivermos num sistema de bonificações baseado em “resultados” agrava o problema, especialmente crítico, na área da saúde.” NNT*

Na nossa prática clínica a decisão de intervir não é regulada pelo factor económico porque a não intervenção, ou a pequena intervenção, são de igual modo valorizadas.

O diagnóstico da necessidade de intervenção Vs não intervenção, liberto dos interesses económicos, assenta única e exclusivamente em valores fundamentais: a ética, a moral, o respeito e a excelência.